domingo, 25 de setembro de 2011
AMAMENTAR, UM ATO DE AMOR E SOLIDARIEDADE
Quando estava grávida, me contavam um monte de coisa: Que parto doía, que neném não dorme de noite, que a recuperação da cesária era terrível, que a anestesia era o cão, que neném perde roupa fácil, etc,etc, etc.. A única coisa que ninguem me disse foi que crianças podem nascer sem saber mamar, e foi isso que aconteceu conosco.
Na maternidade já começou a luta, eu com um peito muito grande, sem bico formado e o neném sem saber o que tinha que fazer ali. Em casa começamos uma batalha! Uma choradeira infernal em cada mamada, ele muito irritado e nervoso e eu mais ainda com os peitos muito cheios e ele sem conseguir mamar.
No segundo dia em casa o meu peito esquerdo começou a empedrar e ficar vermelho. O Miguel não mamava e quando fazia só conseguia pegar no peito direito. Foi quando minha mãe descobriu o serviço de aleitamento materno da maternidade Odete Valadares que oferece gratuitamente para as mãe orientação sobre a amamentação. E lá fomos nós para lá, quase 2 horas colocando compressa e tirando leite do peito dolorido e tentando fazer o Miguel mamar e nada. Até que elas me ensinaram a dar leite em um copinho para ele quando eu visse que ele não havia mamado o suficente.
Fui tão bem recebida lá que me cadastrei como doadora de leite e trouxe os frascos para coletar leite em casa. No mesmo dia de tarde fui presenteada com uma bombinha elétrica para tirar leite e ajudar a melhorar o peito inchado, o que foi uma benção e um alívio para dor.
Douglas e minha mãe ajudavam bastante também massegeando o peito e tirando leite dele, mas enquanto o neném não mamasse direito ele não ia melhorar.
Com o Miguel continuava a luta, no quarto dia de vida dele quando voltamos a pediatra ele havia baixado o peso de 3.100kg para 2.800kg. Fiquei arrasada com isso, e a pediatra pediu para que eu desse de mamar para ele de 2 em 2 horas. E la fomos nós, naquela choradeira, me trancava no quarto com ele, ia rezando para Nossa Senhora não me abandonar e me ajudar. Ia cantando para ele, conversando até que um dia ele conseguiu abocanhar o peito, porém o esforço era tanto que ele logo dormia e não tinha cristão que o acordasse. Conclusão dessa preguiça: 15 dias depois voltamos a pediatra ele havia engordado só 50 gramas.
Ai eu chorei direito. Mesmo sabendo que não era culpa minha, eu me sentia culpada, impotente e incopetente, pois estava por conta de alimentar meu filho e não conseguia fazer isso direito. Estava incomodada com a pediatra dele e resolvi levar em uma conhecida nossa no mesmo dia para ela avalia-lo. Chegando lá descobri que a primeira pediatra não tinha feito nenhum exame de reflexo nele. A nova pediatra, Dra Maraísa, olhou ele todinho, pediu um exame de urina (isso merece um post a parte) e me deu um leite chamado Althéra para dar 60 ml para ele junto com 15 minutos de cada peito de 3 em 3 horas. Esse Altéra é caro (beeem caro) porém ele tem a vantagem de dar menos cólicas no neném do que o NAN, porque ele não tem lactose.
E fomos por 9 dias nessa de 15 minutos em cada peito + 60 ml de leite, quando fomos pesar na pediatra nem ela acreditou, ele engordou 620 gramas, cerca de 68 gramas por dia, sendo que o norma seria ele engordar cerca de 25 gramas diárias. Toda feliz e aliviada que meu neném estava cheio de dobrinhas já, fomos passar a semana só com o peito para ver como ele reagiria. Não muito bem, voltamos 5 dias depois e ele engordou só 50 gramas, ou seja, meu leite não está sendo o suficiente para ele, agora são 100 ml do leite em pó + 5 minutos em cada peito para ele receber os meus anticorpos. Se bem que não respeito esse tempo no peito e sempre deixo ele ficar mais um pouco, afinal, esse é o momento mãe e filho, as melhores horas do nosso dia em ficamos nos olhando, fazendo carinho e se curtindo.
Não sabemos o motivo do meu leite sozinho não sustenta-lo, a gente acredita que é preguiça que ele tem de mamar, pois dorme rápido no peito e só mama o primeiro leite, aquele que é mais fraco e serve para matar a sede, o leite gorduroso que faz engordar ele não chega a mamar pois o sono não deixa.
Com essa diminuição do tempo no peito estou tendo muito leite para tirar (viva a bombinha elétrica) e mando para o banco de leite da maternidade Odete Valadares. Elas foram tão carinhosas e gentis comigo que o mínimo que posso fazer é retribuir em forma de doação. Pode ser que o meu leite não sustente meu filho, mas graças a Deus tenho condições de complementar a alimentação dele, mas vai ajudar a sustentar as dezenas de bebezinhos que nascem prematuros se não conseguem mamar, os recém nascidos que são abandonados na maternidade ou os filhos das mães que não tem leite e também não tem condições de complementar. e e maternidade busca o leite coletado em casa, já enviei 3 frascos de leite para lá e só nesse final de semana enchi mais 4, olha só!
Miguel tá ficando lindo, cada dia acho mais uma dobrinha no corpo dele. As bochechas estão ficando boas de apertar, o queixo duplo e o pescoço sumindo. Conclusão: Esse neném vai ser muito apertado e mordido a partir de agora!
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário