Quando descobri que estava grávida, dei a noticia em casa e
subi para casa da minha tia Letícia para contar. Contei meio engasgada, quase
chorando e a reação que recebi dela foi: “AI QUE MARAVILHA, VOU SER AVÓ!”
E ela foi avó, das mais babonas que se possa imaginar. No
dia em que fomos fazer o ultrassom para descobrir o sexo do bebê, ela ficou
quase 2 horas com a gente esperando para ser atendida e chorou de alegria ao
ver que era o Miguel. Ao sairmos de lá ela me fez para no shopping por que
tinha que dar para a primeira roupa de menino e um sapatênis para ele. Essa
roupa foi a primeira que ele usou do seu enxoval.
Falando em enxoval, tia Letícia não podia ir na rua que
voltava com sacolas e mais sacolas pro Miguel. Foi ela também que saiu com a
gente para montar o quarto, escolher as tintas e deu o jogo de berço dele, escolheu
um azul de fundo do mar que era para
combinar com quarto.
Para mim, ela fazia marmita para eu levar de almoço e todo
dia 06:30 da manhã ela me ligava para ir lá buscar antes de ir para o trabalho.
Também adorava quando eu tinha vontade de comer alguma coisa...nunca vi ninguém
gostar de comer porcaria igual ela.
Todo ultrassom que eu fazia ela pedia para ver e ficava
tentando enxergar o neném na tela. Quando o Miguel nasceu, madrugou no hospital
com a gente, ficava o dia inteiro, e no dia da alta foi ela quem foi me buscar
para levar o pequetito para casa.
Ia lá em casa todo santo dia ver o neném e me fazer companhia.
Benzia ele de quebranto com o livro de receitas da minha avó. Descíamos para
passear na Prudente com ele no carrinho ou no canguru.
Foi ela a pessoa que mais incentivou a gente a mudar para
uma casa só nossa. Fugimos um dia de manhã para comprar uma sala de jantar e
deixar escondida na casa dela, nem apartamento tínhamos olhado ainda. Ela
falava que tínhamos que ir, que o Miguel precisava ter a casa dele e que “carro
apertado é que chiava”.
Guardava potinhos vazios para ele poder brincar de empilhar
e cada vez que ele arrumava tudo a gente ouvia palmas e uma gritaria de “Êêêêê”
dos dois lá de dentro do quarto
Adorava fazer o Miguel dormir cantando a música do “zumzumzum
lá no fundo do mar” e falava que ele era a maior alegria da vida dela.
Essa vida, os dois compartilharam juntos até 1 ano e 7 meses
do Miguel aqui na terra. Essa “tivó” tão apaixonada agora foi morar no céu bem
do lado do Papai do céu e se transformou
em um anjo protetor para guiar o caminho dele!


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